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Ansiedade, Assertividade e Autoestima: o triângulo do equilíbrio emocional

Falar o que se sente, pedir o que se precisa, colocar limites — tudo isso parece simples na teoria, mas na prática pode ser fonte de ansiedade para muitas pessoas.


Entre o medo de desagradar e a culpa por se impor, acabamos presos em um ciclo de insegurança que afeta tanto a autoestima quanto nossa forma de nos relacionar.


O que é, afinal, ser assertivo?


Ser assertivo não é ser agressivo nem submisso. É saber expressar pensamentos, sentimentos e necessidades de maneira clara e respeitosa, sem desrespeitar o outro — e sem se desrespeitar. É a capacidade de dizer “sim” quando se quer dizer sim, e “não” quando o corpo e a mente dizem não.


Essa habilidade, chamada assertividade, é uma das principais competências emocionais estudadas dentro das Terapias Cognitivo-Comportamentais. Ela faz parte das chamadas habilidades sociais, que sustentam uma comunicação equilibrada e autêntica.


O elo entre ansiedade e assertividade


Um estudo brasileiro conduzido por Marina Bandeira e colegas (2005) investigou a relação entre o comportamento assertivo, a ansiedade e a autoestima em estudantes universitários. Os resultados mostraram algo que observamos com frequência na clínica:

  • quanto maior o nível de ansiedade, menor tende a ser a assertividade.


Isso acontece porque a ansiedade atua como um freio emocional: o medo da rejeição, do julgamento ou do conflito bloqueia a expressão natural do que se sente. É como se a mente dissesse: “É melhor ficar quieta do que correr o risco de errar.” Com o tempo, esse padrão reforça o sentimento de incapacidade e faz com que a pessoa duvide do próprio valor.


Autoestima e o poder do “locus interno”


Outro achado importante desse estudo foi a ligação entre assertividade, autoestima e locus de controle interno — ou seja, a percepção de que temos algum poder sobre os acontecimentos da nossa vida. Pessoas mais assertivas tendem a acreditar que suas ações têm efeito real no mundo. Já aquelas que se sentem à mercê das circunstâncias (o chamado locus externo) costumam se perceber como vítimas dos eventos — e, consequentemente, se sentem menos confiantes para se posicionar.


A autoestima funciona, então, como uma base: quando nos sentimos dignos de respeito e capazes de agir, conseguimos falar com mais clareza e menos medo. Ser assertivo passa a ser uma consequência natural de uma autoestima fortalecida e estável.


Quando a ansiedade cala a voz


Muitas pessoas com ansiedade relatam dificuldade em dizer o que pensam, pedir ajuda ou discordar de alguém. Essa inibição não é falta de coragem — é um mecanismo de autoproteção. A mente tenta evitar o desconforto antecipando o pior cenário: “e se me julgarem?”, “e se eu magoar alguém?”, “e se eu me arrepender?”.


O problema é que, ao evitar a exposição, a pessoa também evita o crescimento. A cada vez que silencia o que sente, reforça a crença de que sua voz não tem valor.


Caminhos possíveis


Aprender a ser assertivo não é “forçar-se a falar”, mas reaprender a se escutar. É desenvolver um senso interno de valor, reduzir a ansiedade que bloqueia a expressão e praticar, pouco a pouco, novas formas de comunicação.


Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos justamente esse equilíbrio:

  • identificar os pensamentos que geram medo ou culpa,

  • reconhecer as emoções que paralisam,

  • e experimentar respostas mais coerentes com o que se sente de verdade.


A assertividade não nasce da perfeição, mas da aceitação de quem somos. E quanto mais nos respeitamos, mais naturalmente aprendemos a falar — sem medo e sem culpa.


Para refletir

“Ser assertivo é falar com o outro sem abandonar a si mesmo.”




Bibliografia:


  • Bandeira, M., Quaglia, M. A. C., Bachetti, L. S., Ferreira, T. L., & Souza, G. G. (2005). Comportamento assertivo e sua relação com ansiedade, locus de controle e auto-estima em estudantes universitários. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 21(3), 343–352.

  • Del Prette, A., & Del Prette, Z. A. P. (1999). Psicologia das habilidades sociais: terapia e educação. Petrópolis: Vozes.

  • Beck, A. T., & Emery, G. (1985). Anxiety disorders and phobias: A cognitive perspective. New York: Basic Books.

  • Rangé, B. (Org.). (1995). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed.


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Janaina FORTUNATO Psicóloga Clínica - CRP: 06/162052

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© 2024 par Janaina FORTUNATO

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