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O perfeccionismo: quando a exigência se torna uma armadilha


À primeira vista, o perfeccionismo pode parecer uma qualidade. Atenção aos detalhes, alto padrão pessoal, gosto pelo trabalho bem feito — características muitas vezes valorizadas socialmente. Mas quando essa exigência se torna rígida, sufocante ou paralisante, o perfeccionismo pode se transformar em um verdadeiro obstáculo ao bem-estar e ao desenvolvimento pessoal.



O perfeccionismo como estratégia de proteção


Com frequência enraizado desde a infância, o perfeccionismo pode nascer de uma educação baseada em desempenho, recompensas e necessidade de aprovação. Ele se torna, muitas vezes, uma estratégia inconsciente de proteção — uma tentativa de evitar críticas, erros ou rejeição. Por trás dessa exigência constante, existe um medo silencioso: o medo de não ser suficiente.


Dois tipos de perfeccionismo


Pesquisas costumam distinguir duas grandes formas de perfeccionismo:


1. O perfeccionismo voltado para si mesmo: A exigência é interna. A pessoa sente que nunca é boa o bastante, que está sempre aquém do esperado. Esse padrão costuma vir acompanhado de baixa autoestima, sentimento de inferioridade e, às vezes, sintomas depressivos.


2. O perfeccionismo voltado para o outro:As expectativas excessivas são projetadas sobre as pessoas ao redor.Nada do que o outro faz parece suficiente, o que pode gerar conflitos, frustração e até isolamento.


Quando o perfeccionismo paralisa: a procrastinação


O perfeccionismo se torna uma armadilha quando impede a ação. Com medo de errar, a pessoa adianta, evita, se perde nos detalhes ou simplesmente não consegue começar uma tarefa. É o círculo da procrastinação perfeccionista: adiamos, sentimos culpa, a autoestima se fragiliza — e o ciclo se repete.

“Eu sei que preciso responder a esses e-mails, terminar esse relatório, mas enquanto eu não sentir que posso fazer tudo perfeitamente, não consigo começar.”

Esse comportamento gera alto nível de estresse, tensões nas relações e, com o tempo, pode levar ao esgotamento emocional.


Sinais de um perfeccionismo disfuncional


Alguns indícios comuns incluem:


  • Foco excessivo nos detalhes

  • Necessidade de controlar tudo

  • Medo intenso de errar

  • Baixa autoestima apesar das competências

  • Dificuldade em confiar ou delegar

  • Tendência ao cansaço e sobrecarga

  • Procrastinação frequente


Como sair desse padrão


Sair do perfeccionismo rígido não significa abrir mão da qualidade. Trata-se de aprender a fazer as coisas com mais flexibilidade, escuta interna e realismo.


Algumas estratégias inspiradas nas Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCC):


  • Identificar crenças disfuncionais: “Se não for perfeito, é um fracasso”; “Só tenho valor quando acerto.”

  • Experimentar a ação imperfeita: agir mesmo sem ter tudo sob controle — e perceber que o erro não é uma catástrofe.

  • Aprender a tolerar o desconforto de não ter tudo pronto ou definido.

  • Relembrar o propósito: qual é o sentido de fazer “perfeito”? O que significa ser “bom o suficiente”?


O papel da psicoterapia


Um acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender os mecanismos internos do perfeccionismo, questionar crenças limitantes e desenvolver uma relação mais gentil e humana consigo mesmo.


Essa mudança não acontece da noite para o dia, mas é possível — e costuma começar com uma percepção simples:


Querer fazer bem é legítimo. Mas querer fazer perfeito pode nos impedir de fazer.

Se esse tema ressoa com você, explore o e-book ou os recursos disponíveis no blog. Você não está sozinha nesse caminho.

 
 
 

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Janaina FORTUNATO Psicóloga Clínica - CRP: 06/162052

WhatsApp : +33 7 66 42 45 91 - @psi.janainafortunato

© 2024 par Janaina FORTUNATO

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