O perfeccionismo: quando a exigência se torna uma armadilha
- Janaina FORTUNATO

- 13 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
À primeira vista, o perfeccionismo pode parecer uma qualidade. Atenção aos detalhes, alto padrão pessoal, gosto pelo trabalho bem feito — características muitas vezes valorizadas socialmente. Mas quando essa exigência se torna rígida, sufocante ou paralisante, o perfeccionismo pode se transformar em um verdadeiro obstáculo ao bem-estar e ao desenvolvimento pessoal.

O perfeccionismo como estratégia de proteção
Com frequência enraizado desde a infância, o perfeccionismo pode nascer de uma educação baseada em desempenho, recompensas e necessidade de aprovação. Ele se torna, muitas vezes, uma estratégia inconsciente de proteção — uma tentativa de evitar críticas, erros ou rejeição. Por trás dessa exigência constante, existe um medo silencioso: o medo de não ser suficiente.
Dois tipos de perfeccionismo
Pesquisas costumam distinguir duas grandes formas de perfeccionismo:
1. O perfeccionismo voltado para si mesmo: A exigência é interna. A pessoa sente que nunca é boa o bastante, que está sempre aquém do esperado. Esse padrão costuma vir acompanhado de baixa autoestima, sentimento de inferioridade e, às vezes, sintomas depressivos.
2. O perfeccionismo voltado para o outro:As expectativas excessivas são projetadas sobre as pessoas ao redor.Nada do que o outro faz parece suficiente, o que pode gerar conflitos, frustração e até isolamento.
Quando o perfeccionismo paralisa: a procrastinação
O perfeccionismo se torna uma armadilha quando impede a ação. Com medo de errar, a pessoa adianta, evita, se perde nos detalhes ou simplesmente não consegue começar uma tarefa. É o círculo da procrastinação perfeccionista: adiamos, sentimos culpa, a autoestima se fragiliza — e o ciclo se repete.
“Eu sei que preciso responder a esses e-mails, terminar esse relatório, mas enquanto eu não sentir que posso fazer tudo perfeitamente, não consigo começar.”
Esse comportamento gera alto nível de estresse, tensões nas relações e, com o tempo, pode levar ao esgotamento emocional.
Sinais de um perfeccionismo disfuncional
Alguns indícios comuns incluem:
Foco excessivo nos detalhes
Necessidade de controlar tudo
Medo intenso de errar
Baixa autoestima apesar das competências
Dificuldade em confiar ou delegar
Tendência ao cansaço e sobrecarga
Procrastinação frequente
Como sair desse padrão
Sair do perfeccionismo rígido não significa abrir mão da qualidade. Trata-se de aprender a fazer as coisas com mais flexibilidade, escuta interna e realismo.
Algumas estratégias inspiradas nas Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCC):
Identificar crenças disfuncionais: “Se não for perfeito, é um fracasso”; “Só tenho valor quando acerto.”
Experimentar a ação imperfeita: agir mesmo sem ter tudo sob controle — e perceber que o erro não é uma catástrofe.
Aprender a tolerar o desconforto de não ter tudo pronto ou definido.
Relembrar o propósito: qual é o sentido de fazer “perfeito”? O que significa ser “bom o suficiente”?
O papel da psicoterapia
Um acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender os mecanismos internos do perfeccionismo, questionar crenças limitantes e desenvolver uma relação mais gentil e humana consigo mesmo.
Essa mudança não acontece da noite para o dia, mas é possível — e costuma começar com uma percepção simples:
Querer fazer bem é legítimo. Mas querer fazer perfeito pode nos impedir de fazer.
Se esse tema ressoa com você, explore o e-book ou os recursos disponíveis no blog. Você não está sozinha nesse caminho.


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